Equipe Multidiciplinar para Tratamentos de Transtornos Alimentares

Quando me solicitaram, para escrever sobre Anorexia como paciente logo pensei como este assunto é difícil. Talvez por ser algo com o qual tenho me esforçado para aprender a conviver nos últimos 9 meses.
Acho que existem 2 aspectos distintos para se discutir: como o paciente se vê e como os outros o vêem, ou interpretam. O que a sociedade imagina é que os pacientes são “cabides ambulantes malucos”, vivem em dieta, e que necessitam de tratamento urgente, de preferência bastante comida.
Contudo, as pessoas infelizmente têm uma visão estereotipada, apresentada pela mídia, do paciente anoréxico como aquele indivíduo caquético, internado, necessitando ser alimentado por sonda, etc. Quando, em verdade, a Anorexia pode se manifestar desde as formas mais graves, como a acima descrita, até os casos mais leves, ou seja, aqueles indivíduos magros, que “se cuidam para não engordar”, inteligentes, que desempenham suas atividades normalmente e cuja doença passa despercebida. Nesta última situação, pode se manifestar perante alguma situação nova. O paciente, que até então vivia no seu limite, acaba descompensando e os sinais/sintomas da Anorexia se acentuam, tornando-se possível o diagnóstico. Foi justamente esta situação que eu vivi. Mantinha uma briga inconsciente, porém constante com o meu corpo, buscando o peso menor, comer cada vez menos e ao mesmo tempo conciliar a Anorexia com o meu trabalho e estudo. Até que perante uma situação de estresse (perda de um familiar), além da perda de peso, comecei a apresentar outros sintomas como tontura, sonolência, depressão, entre outros. Minha Anorexia “deu as caras”.
Sem dúvida alguma não foi nada agradável receber esse diagnóstico (rótulo), tão difícil de aceitar. Algo que você não enxerga. É diferente, por exemplo, de um paciente que apresenta uma fratura e que além de sentir dor, visualiza a sua perna quebrada.
No caso da Anorexia é importante que as pessoas saibam que o fato de não comer, não se trata de uma frescura, nem tão pouco provocação ou tentativa de tornar-se uma “Gisele”. A questão é que apesar de magros, não é assim que nos enxergamos. Temos uma distorção da nossa imagem corporal e o grande desafio do tratamento é justamente o paciente se convencer de que está doente. Somente depois que se assume a doença é possível aderir mesmo ao tratamento, que não é fácil! Outra questão importante é o entendimento da doença por parte da família, para não escutarmos o que não ajuda: “Como pode uma pessoa com grau universitário ter essa doença?” (Imaginem eu que trabalho na área da saúde, escutando esta frase; como se Anorexia escolhesse escolaridade, idade, etc.). “Você precisa comer bastante “. “Ela está melhorando, está mais gordinha!” (Não há frase pior para um anoréxico do que esta última!).
Na medida em que estamos em constante insatisfação com o nosso corpo, procuramos cada vez mais estabelecer um ciclo vicioso. Nos tornamos responsáveis, de forma inconsciente, pela nossa auto-destruição. A nossa vida transcorre em função de perder mais e mais peso. É melhor ficar em casa do que sair com os amigos (afinal de contas alguém pode decidir ir a um rodízio de pizza, por exemplo). Esse contato social torna-se cada vez menos necessário. Uma verdadeira bola de neve. Neste contexto complexo, além de uma equipe apta composta por nutricionistas, psiquiatras e familiares cientes da doença, acima de tudo está a consciência e o empenho do próprio paciente para o sucesso do tratamento.
Silvia 33 anos

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